bem lá
no horizonte da sertania
em giro aberto, no centro nordeste da solidão, surgia
o sol trazendo a borda incandescente, feito a beirada dum chapéu
levante dum cangaço chispando estrelas no encourado contra o céu
passo curto, corrido, aprumado que varia conforme o caminho
é o couro cozido, desquinado, é o fio, é a lã, é o linho
é o vaqueiro que enfrenta Lubião
lua nascendo no cume da serra
sonho desacordado que erra
no meio da escuridão
pêlo, crina, cela e destino
esperança que vai consumindo
no lombo do seu prateado
no trote, galope na terra
do catravo dessa montaria
vai pelo descampado da terra,
na descida, é vereda, é ventania
mão-de-pilão não aponta o dedo
pra o coração do corpo fechado
vai pilando a tristeza, a esperança,
a lembrança no tempo cortado,
o verso perdendo o rimado
misturando no pó da estrada
a cantiga dessa cantoria
o improviso que é um quase nada
pro tamanho que foi do meu dia