Perco-me no tempo quando a aurora é perto
noite que adentro sem pensar direito
quando o caminho se abre em dois
entre o sonho e o devaneio
um diz como estou
o outro, o que quero
encontro-me na encruzilhada entre o certo e o sentimento
um que me aponta o outro lado
o outro que me fez morada
e o corpo que não pode andar sozinho
sentindo vai de qualquer jeito
pois, qualquer lado, tanto faz
seria uma cruz pesando o peito
recosto-me à beira do caminho
acampo sem saber o quanto dura
pra passar por mim essa ferida
esse punhal que corta em face dupla.
passado o tempo, depois de todas dores
fica no corpo esta cicatriz
sei que agora o caminho é reto
e se abre em tempo de primavera
agora, uma outra vida
uma nova estrada
