muita coragem vejo
nesses que adentram em ruinas
onde tudo agora é frágil
muito cuidado ao pisar, sem sucumbir
sem magoar as vidas fragilizadas pelo tremor
agora o coração é que treme
é que teme e tem esperança
e as mãos destes parteiros do renascimento
cegas, garimpam vidas sem saber
se ali embaixo se encontra um amigo
um amor, uma criança, talvez agora sem família
tantas narrativas rotas
tantas dores nascidas deste trauma
que habita no corpo, na alma
sem crer que o motivo disso tudo foi natural
jamais seremos capazes de entender, jamais
o por quê desta fatalidade sem aviso
de tantas vidas que ainda agonizam
perdendo a esperança a cada instante
contando com a sorte de que um desses anjos
possam as encontrar
esses são os que mais sofrem
os que verdadeiramente sofrem
privados para sempre de um entendimento
com a única resposta, o sentimento
só sei o tanto que são inúteis esses versos
mesmo eu querendo beijar teus olhos fechados
para dizer a dor que me amarra os braços
de longe, bem longe
e essa dor tão perto...
[Dói demais acompanhar a situação da Venezuela após os terremotos. Celebro cada vida encontrada nos escombros, enalteço cada pessoa que se arrisca pelas vidas e choro por cada família que teve perdas...]