só um tolo é capaz de tantas proezas inconsequentes,
numa noite ou num dia quente
como se comesse, como se começasse, comovesse
as tripas enlaçando o coração
e o sangue não mais viesse, para prometer a redenção
tudo como de costume e mesmo que acostumasse,
não saberia dizer qual a razão.
contudo, se na guerra entrasse
vermelho no céu da aurora como uma explosão
senhora, senha, código, digo que só me tem a sanha
cenho que traduz a cólera, talvez essa coleira a que me reduz
o cão que aspira a liberdade, que não faz questão sequer da humanidade
da pena que não vale o sentimento, da asa de ícaro que foge ao vento
do sol que dilacera e que derrete a cera
saindo desse maldito labirinto que o deus do amor construiu
quem vai saber talvez dessa ingenuidade
não saberá do sabor que tem, o gosto da maldade
o peso que transporta o corpo, atravessado e morto
o caos da solidão
e o uivo ressoa no vale, como o silêncio em meio a multidão
um canto de banalidades neste parque vil de diversões
caminho, pois, entre esses tantos e tantas
que urgentes marcham com tantas coisas por fazer
ignorando a intimidade sobreposta com os planos
castelos e contos, as contas, e todos os modelos ideais
recebo, porém, o olhar das crianças, essas que me veem quando ao passar
e se tenho delas um sorriso, ganho esperança e penso em algo melhor me tornar
tornando-me o que foi esquecido, mudando de rumo para o meu regresso
talvez eu sendo novamente tolo, mas sempre acreditando ser sempre verdade
posso estar muito errado, mas para mim, isso é o que espero da humanidade.
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