Entalhe
preciso escrever, ainda...
ao menos tentar.
e preciso ficar o mais longe possível do olhar crítico
que não merece a confidencialidade das veleidades rabiscadas
e quisera fossem traços esses dígitos
tão incapazes de delinear o relevo do sentimento
também que fosse num papel
com todas as fibras recebendo as cicatrizes
dos golpes duma espada de tinta escura
marcando memórias instantes
tatuando sentimentos assim como entalhamos numa árvore os nomes
ainda preciso escrever
reabrir esta página cheia de letras e palavras
tentando traduzir essa coisa
esse limite real que meu imaginário atravessa
e se acampa no meio do tempo
escrever, escrever, escrever
até me calar por dentro
quando perceber que talvez já não haja um destinatário
senão o andar em círculos
de um sentir solitário
até quando a realidade me acolher, finalmente
de forma simples, sem fantasia
sem poemas, apenas informação
sem precisar escrever...
no fundo, talvez seja simples assim
como deveria ter sido
como deve ser...

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