quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Aflora

 



não sei como tirar de mim aquele olhar

que ainda me acompanha, que ressurge silente

na pausa de momentos quietos

nem sei por que permanece


se os dias correm em um momento

noutros andam lentamente

e me fazem perceber a calma que a natureza tem

como se me perguntasse, o que ando fazendo?


ela me ensina que todo movimento tem um retorno

um oscilar que move o coração da vida

que por mais que se disperse 

não se acaba, não se finda 


e sei que mesmo fragmentado meu sentimento

o pó de meus amores, minhas dores, se torna nuvem

e de vez em quando, quando menos espero

cai suave chuva em meu rosto


é quando olho para cima

e não sei se trago um sorriso ou um choro

só sei que neste instante em que a saudade aflora

me demora...


terça-feira, 11 de agosto de 2026

Rebanhos

 



o tempo mudou

do céu claro e azul para nuvens cinzas

uma neblina fina cai, chapiscando essa tela

como um véu de silêncio e mistério

um silenciar de sonhos com incertezas de orvalho


sim, é leve como o esquecimento


estranho poder olhar nesse espelho do tempo

sem me reconhecer por dentro

e perguntar, onde me perdi?


mais estranho ainda é ter nas coisas banais

o motivo que me projeta para o próximo dia

e, talvez, esperar que algo novo aconteça

que possa tentar me abraçar, e que aqueça

esse corpo cismado e descrente


quem sabe a sorte me entregue esse pavio

para a mínima centelha de um olhar

me trazer de volta um sorriso


ou talvez romper essa muralha

para que eu possa soltar os meus rebanhos

e que do amor libertos

não me sejam mais estranhos




domingo, 2 de agosto de 2026

Nobreza

 



delicado...

como a última pétala que se soltou

dessa Margarida

se as flores são vida, se vivem as estações

lágrima caída no seu rosto

puro sentimento


complicado...

se a espada é uma palavra

afiada por todos os lados

melhor não deixar perto do coração

aquieta na bainha do silêncio

até passar a guerra


confuso...

entender ao certo o que se sente

desvendar o nó de tantos laços

sem saber se ganha, ou se se perde

nem o quanto custará em sua vida

chegar até a ponta

decisão


necessário...

tempo pra entender melhor

talvez sentir de outro jeito

até se tornar um corpo estranho

para preservar os outros

e encontrar algum lugar

no meio de tudo

que tenha a nobreza da imobilidade

mesmo sendo isso o sacrifício

de sua vontade