domingo, 30 de agosto de 2026

Sem permissão

 




é preciso ter cuidado com a fragilidade que sustenta a vida 

saber a grandeza que tem o afeto 

ter a mínima ideia de quem sente

pra guiar o mínimo movimento, sabiamente


mesmo na intransponível intimidade

onde se guarda segredos

neste recinto de palavras mudas

de escritos leves em folhas finas

tão delicadas, evitando o toque

o sentimento repousa, para não acordar


mas se desperta, se alguém invade

se a palavra rompe o silêncio

se agora ela canta, plena em seu reverberar

se agora ecoa na casa do corpo

em tons inesperados

é preciso cuidar e ter cuidado

é preciso interpretar


verbo que apenas sente, sem se conjugar

que já não tem significado

apenas sonoridade, corpo em vibração

mesmo na pausa, nunca cessa

valsa que levita os passos

e em silêncio, a pulsação


simplesmente cuidado

o se importar com a sensibilidade

algo além da própria vontade

que acima brilha feito o sol


amar é o mais profundo respeito

é abraçar toda e qualquer partida

e apenas saber que a vida

não pede permissão








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