é preciso ter cuidado com a fragilidade que sustenta a vida
saber a grandeza que tem o afeto
ter a mínima ideia de quem sente
pra guiar o mínimo movimento, sabiamente
mesmo na intransponível intimidade
onde se guarda segredos
neste recinto de palavras mudas
de escritos leves em folhas finas
tão delicadas, evitando o toque
o sentimento repousa, para não acordar
mas se desperta, se alguém invade
se a palavra rompe o silêncio
se agora ela canta, plena em seu reverberar
se agora ecoa na casa do corpo
em tons inesperados
é preciso cuidar e ter cuidado
é preciso interpretar
verbo que apenas sente, sem se conjugar
que já não tem significado
apenas sonoridade, corpo em vibração
mesmo na pausa, nunca cessa
valsa que levita os passos
e em silêncio, a pulsação
simplesmente cuidado
o se importar com a sensibilidade
algo além da própria vontade
que acima brilha feito o sol
amar é o mais profundo respeito
é abraçar toda e qualquer partida
e apenas saber que a vida
não pede permissão
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