É como me disse um sujeito lá na feira de Juazeiro do Norte, que me chegou parecendo um Zaratustra, um Conselheiro, enquanto eu almoçava num barraco daqueles, dizendo: "Deus fez tudo aos inverso. Tudo ao contrário. Quando agente pensa que vem, agente vai. Quando agente pensa que grande é as coisa grande, é as pequena qui são..." e assim por diante.
O desequilíbrio é como visitar as dimensões divinas.
Artistas são os que se arriscam em desequilíbrios num movimento que busca condensar um pouco de algo inapreensível que parece ser dum plano divino. Substância ou estado dimensional além, e ao mesmo tempo presente no ser que é uma ponte e não um termo.
Escrever é uma forma de aproximar-se do outro e de si mesmo. Poesia como forma de criar alívios.
sexta-feira, 25 de junho de 2010
quinta-feira, 24 de junho de 2010
Jackson do Pandeiro
"Quando criança, ouvia muito Jackson do Pandeiro nos altos-falantes da feira de São Bento. A música dele é a trilha sonora da minha infância, tem cheiro de fumo de rolo. Talvez eu tenha sido o músico que mais se aproximou de Jackson no fim de sua carreira. Viajei o Brasil inteiro com ele em 1977, com o Projeto Pixinguinha. Depois dessa excursão, fiquei deslumbrado e resolvi compor o meu primeiro forró: Coração Bobo. É uma pena, hoje em dia, ele não ter sua obra reconhecida como Luís Gonzaga. O Jackson era menos articulado, ingênuo... Não soube fazer os contatos que o mestre Lua fez. Costumo sempre dizer que o Gonzagão é o Pelé da música e o Jackson, o Garrincha." (Alceu Valença)
sábado, 13 de março de 2010
Villa-lobos é considerado um dos estandartes do nacionalismo no universo musical brasileiro, pois, tinha consciência explícita da riqueza cultural que o Brasil possuía. Destarte, um dos pontos fortes em seu trabalho é a presença de elementos folclóricos, melodias, intervalos, sons, efeitos, numa tentativa de traduzir musicalmente a imagem e os sons de sua terra, vasta e abundante em culturas. Villa-lobos nunca economizou em produção musical, já que, também, é conhecido como um compositor profuso, e grande parte de sua produção foi marcada por esses elementos, talvez, como forma de se buscar uma identidade nacional, mesmo que multifacetária. Por um lado, é difícil conceber que alguém que viaje e conheça o interior brasileiro fique sem ter o que contar (ou o que musicar, cantar, compor ). Camargo Guarnieri em sua carta aberta, 1950, assinala que temos “ todo um amazonas de música folclórica... à espera de que venham estudá-lo...”
Por volta de 1905, em suas peregrinações pelo Brasil, visita o nordeste onde tem contato com manifestações folclóricas que o encantam. (1) Podemos encontrar muitas evidências de material folclórico nordestino presente em seu trabalho, embora, com o toque estilizado, reflexo de sua criatividade e por não se tratar de meras transcrições.
(1) Maria augusta Machado 1999
(1) Maria augusta Machado 1999
O Seu Olhar faz o cinema acontecer...
O Cinema seis e Meia é um projeto da Secretaria de Cultura da PMVC que foi contemplado no edital de pontos de difusão audiovisual, lançado pelo MINC em 2007. Hoje, Cine Mais Cultura, agregando ao programa nacional de acesso ao cinema, difusão audiovisual como um todo e dinamizando a programação cultural em nossa cidade.
Já tem dois anos de funcionamento lá no Teatro Carlos Jehovah.
Acredito que poucas pessoas sabem onde fica esse teatro, salvo os que conhecem o cenário cultural da cidade. Ele fica na praça da Bandeira, no lado oposto ao do Mercado de Artesanato.
A programação é verdadeiramente de cineclube. Filmes de arte, cinema nacional, filmes memoráveis todos exibidos a partir de mídias em DVD.
O aspecto mais essencial de todos, nesse projeto, é ver as pessoas juntas numa sala em formato de arena, no escurinho, curtindo filmes excelentes e discutindo ao final de cada sessão.
Tem o ano todo, todas as Quartas-feiras e às Segundas em parceria com a turma do Segundo o Cinema.
Vale a pena conferir...
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
Moínhos
Por que afinal acreditamos em silêncio, como uma confissão íntima, uma conspiração de fé e de desejo? Como combater essa fé com as verdades naturais que sobrepõem tais fantasias?
Somente pela dor é que conhecemos a solidez dos objetos impenetráveis...Das estruturas imutáveis e desses cânones econômicos dos quais somos meros escravos...
Reino na minha imprevidência, no meu tempo pródigo e no meu apetite de desafiar minha existência solitariamente incomum e ínfima, na medida dos infinitos contáveis grãos de areia...
Creio em castelos. Mas até mesmo os maiores, e de verdade, ruíram.
Meus olhos têm que ir além da realidade pois não me conformo com o termo dos nomes, das funções, das leis...
E até mesmo as realidades possuem em sua essência, verdades maiores que as que podemos alcançar...
Não somente em castelos, mas em princesas também...
Minha fé é meu universo simbólico que exprime mais profundamente o acesso aos meus sentimentos mais íntimos.
Evoco esses símbolos... Pois o ser humano “é um meio, e não um fim.”
Mas o ser humano chega ao fim, morre. Os sonhos se dissipam, pelo elo que temos com o universo...
Nossa vidas passam... Não sei se devo me retirar às verdades das flores, das folhagens, dos ventos que erram “tediosos, por não encontrar o que buscam”, ou se devo construir castelos. Só sei que devo fazer o que acredito, pois somente isso me dará o consolo que preciso para passar... para existir no mundo. Resistir no mundo.
Hoje, depois de muitos sonhos e devaneios, sei privá-los do mundo austero. Guardo no meu universo simbólico e penso em conduzir tudo na medida que não rompa com os limites, para que tudo aconteça, que tudo se faça da melhor forma... Sendo uma ferramenta no mundo... uma ponte, mas nunca um fim...
Somente pela dor é que conhecemos a solidez dos objetos impenetráveis...Das estruturas imutáveis e desses cânones econômicos dos quais somos meros escravos...
Reino na minha imprevidência, no meu tempo pródigo e no meu apetite de desafiar minha existência solitariamente incomum e ínfima, na medida dos infinitos contáveis grãos de areia...
Creio em castelos. Mas até mesmo os maiores, e de verdade, ruíram.
Meus olhos têm que ir além da realidade pois não me conformo com o termo dos nomes, das funções, das leis...
E até mesmo as realidades possuem em sua essência, verdades maiores que as que podemos alcançar...
Não somente em castelos, mas em princesas também...
Minha fé é meu universo simbólico que exprime mais profundamente o acesso aos meus sentimentos mais íntimos.
Evoco esses símbolos... Pois o ser humano “é um meio, e não um fim.”
Mas o ser humano chega ao fim, morre. Os sonhos se dissipam, pelo elo que temos com o universo...
Nossa vidas passam... Não sei se devo me retirar às verdades das flores, das folhagens, dos ventos que erram “tediosos, por não encontrar o que buscam”, ou se devo construir castelos. Só sei que devo fazer o que acredito, pois somente isso me dará o consolo que preciso para passar... para existir no mundo. Resistir no mundo.
Hoje, depois de muitos sonhos e devaneios, sei privá-los do mundo austero. Guardo no meu universo simbólico e penso em conduzir tudo na medida que não rompa com os limites, para que tudo aconteça, que tudo se faça da melhor forma... Sendo uma ferramenta no mundo... uma ponte, mas nunca um fim...
Amadurecimento
Amadurecimento às vezes nos parece uma escolha nossa que não deixa de ter lá um leve sabor de coisa compulsória...
Se se há o amadurecimento, deve haver o apodrecimento... seria algo como fruto não colhido... Não escolhido... Mas nada que está podre deve ser ignorado, pois assim faz a carne de todos os ignorantes, tiranos, homens bons e maus, mulheres, pessoas de todas as raças, grandes realizadores, inertes, inúteis, miseráveis e maravilhosos... Talvez daí advenha parte da consciência moral que temos hoje em gostar das coisas que cheiram bem, ou que sejam inodoras. Mas que educação estésica nos deram!!! Como pode afinal ser ruim o fruto que é verde?
E por sinal, se são também cores, as ameixas pretas quando estão vermelhas ainda estão verdes...
Mas há aqueles que envelhecem e nunca ficam maduros! Eis a diferença.. não somos da verdade do reino vegetal, mas vegetamos no reino animal!
Se se há o amadurecimento, deve haver o apodrecimento... seria algo como fruto não colhido... Não escolhido... Mas nada que está podre deve ser ignorado, pois assim faz a carne de todos os ignorantes, tiranos, homens bons e maus, mulheres, pessoas de todas as raças, grandes realizadores, inertes, inúteis, miseráveis e maravilhosos... Talvez daí advenha parte da consciência moral que temos hoje em gostar das coisas que cheiram bem, ou que sejam inodoras. Mas que educação estésica nos deram!!! Como pode afinal ser ruim o fruto que é verde?
E por sinal, se são também cores, as ameixas pretas quando estão vermelhas ainda estão verdes...
Mas há aqueles que envelhecem e nunca ficam maduros! Eis a diferença.. não somos da verdade do reino vegetal, mas vegetamos no reino animal!
domingo, 13 de setembro de 2009
Universidades
A academia é uma “luneta do tempo” através da qual podemos nos aproximar e conhecer planetas distantes ou micro-universos. Nos oferece muito e pouco. Não é ruim nem boa, é o que é e o que a tornamos enquanto por lá transitamos.
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