sexta-feira, 13 de abril de 2012

Caminhamento






meu pobre olhar empobrecido...
que me fizeram, pelos meus ouvidos, para  perdê-lo tanto assim
e tão lento esse descortinar em minha memória...

as cores que cansei e não mais vi
as formas que se moviam e criavam breves estórias
os sabores da casa de meus avós...
os sentidos que emudecidos de sua própria linguagem
ficaram nessa fôrma de queijo e não como janelas
nesses recipientes limítrofes e não campos abertos...

hoje esmago docemente pequeninas frutas
para ficar com o cítrico perfume em minhas mãos
para tingir-me da doçura
e seguir provando
do esquecimento...
no meu quintal...






quarta-feira, 11 de abril de 2012

Olhar de Lucrécio





Suave e imenso mar...

Movias, arrastando tudo em volta
Meu mundo se perdia
A cada passo, estendia diante de mim
Uma caminho de pedra nua
Rua de prata brilhando em meus olhos
Como uma espada fria...

( atravessou-me aquele momento...)
Tudo mais se revestia de costas para o mar

Talvez fosse apenas eu que deslizava meus passos
 como uma barcarola
Asverus marinheiro comum
Para longe duma redoma impenetrável


O separador de mundos
O brinquedo imaginante...
Máquina do mundo.
Engenho da Bahia
Um mundo-ilha

Aquela barca,
Incontável entre os ancorados...
Nem era eu que mirava da praia as naus em chamas

Nem percebi
O esplendor daquela tarde

O imenso e eterno céu
O incandescente crepúsculo
O Porvir sem tempo
Nem a carícia do momento
Tão suave em meu  rosto de pedra

nenhuma palavra é capaz de te dizer
nem de cantar seu nome

mas, uma ciranda de palavras
chega bem perto

enche o copo de café
e observa os desenhos que a borra faz
como Palomar, olhando cebolas, peitos e a areia do mar

um longo silêncio tem todos os nomes
todas as mais belas frases dos mais belos livros dos...
Mas apenas escolhemos as que mais nos tocam

qualquer palavra pode dizer
até as que nada têm a ver
a haver....

a boca parece mais do beijo que da palavra
mais do beijo que da fome
e nem sei por que me toca tanto teu nome?

terça-feira, 10 de abril de 2012

Punctus

"Sempre quis estar à frente,
para estar presente nesse tempo
que se nega ser o que nem sei.
Mas descobri que estar à frente
é estar por dentro,
é achar o centro,
arrematando as pontas que deixei"

Nota conquistense sobre o público

Um dos indicativos significativos que dão uma impressão, como todas as impressões que são apenas um recorte, porém, um recorte de uma multiplicidade e não de um corpo coeso, é a impressão que nos causa uma platéia.
Me senti movido a comentar um pouco sobre o público conquistense nesse último período de atividades que têm acontecido na cidade e que tenho assistido.
Em primeiro, a massiça comparecimento do público ao Centro de Cultura para assistir desde ao Verão Cênico à Mostra Conquista de Teatro. Em maioria teve entre uma boa quantidade de público a casa cheia. Isso nos faz questionar sobre o que que é de interesse da população, em relação a espetáculos artísticos, principalmente se o público vai assistir a trabalhos nunca vistos e que, em boa parte deste público, não tem uma referência sobre o que exatamente é a peça. Mas existe uma predisposição ao novo, ao desconhecido que renova o ânimo desses atores que há um bom tempo estiveram desestimulados. Algo simples que justifica o fazer sem que necessite de justificativas outras, utilitárias, acadêmicas ou de outra natureza. O fazer teatro, o ir ao teatro é um rito. A arte é uma rotunda de todo esse processo. Envolve amplamente aspectos presentes, sempre como parte que completa e permeia a vida, se essa merece dividir com aquilo que é essencial a alma, às coisas imateriais. Ir ao teatro é uma execução de arte, pois os leitores são executores, parte do mecanísmo no qual opera a performance. Ir ao teatro, ou a qualquer espaço que abrigue o fazer artístico em exposição, é contemplar a parte que lhe ocupa esse campo imaterial essencial.

Com poucas ressalvas, no geral o público conquistense tem se mostrado presente e com um comportamento invejável, como foi o caso das seis mil pessoas no espaço Miraflores, assistindo a execuções sinfônicas da Neojiba em silêncio. Mas também as manifestações de riso, ou breves interjeições no hilário de algumas cenas de teatro dos grupos conquistenses, como nas palmas ao final das peças.

Todos nós temos muito o que aprender com cada espetáculo, ou temos apenas que sentirmo-nos mudados, transformados pelo simples ato de conviver, viver-com, estar junto, presentes. Criticando, elogiando, protestando... da forma que for, mas de alguma forma, mais perto.

segunda-feira, 9 de abril de 2012



Ao ver um sabiá
Estaca, antes que eleve o pensamento acima das árvores
Pondera

Pena
O cair duma ideia

As poucas folhas do pomar da musa
Colhas

À sombra, ouve o canto
Pranto

Antes da primavera
Espera
Depois da alvorada
Nada...


quinta-feira, 5 de abril de 2012

....

nenhuma palavra é capaz de te dizer
nem de cantar seu nome

mas, uma ciranda de palavras
chega bem perto

enche o copo de café
e observa os desenhos que a borra faz
como Palomar, olhando cebolas, peitos e a areia do mar

um longo silêncio tem todos os nomes
todas as mais belas frases dos mais belos livros dos...
Mas apenas escolhemos as que mais nos tocam

qualquer palavra pode dizer
até as que nada têm a ver
a haver....

a boca parece mais do beijo que da palavra
mais do beijo que da fome
e nem sei por que me toca tanto teu nome?