quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Longitudes

Longe. Longe...
Quem sabe o que é ser longe?
Se pensamos como centro
Como em volta e como um eu
Onde quer que nos ponhamos
Não importa
Se esse mapa vira
Se rasga e perde pedaços
Outonal

O que importa é com o que se mede
O quanto cada pode ser
O quanto pode carregar
Tudo que se deve levar, quando se muda
Coisas inúteis e muito além das coisas
E o que não te pertence mas te ocupa vastamente
Te expande
Esse canto seu, perto, que se faz em longitudes
Desconhecido, belo e seu


quarta-feira, 23 de outubro de 2013

flanboyent




meu flanboyent sereno
quantas inúmeras cimitarras estourando sementes...
e quantas batalhas travaria
à sua sombra, para dar inveja a gregos

cimitarras como vírgulas
para respirar entre os golpes da vida
a tocar as mãos desprotegidas
com o intenso da realidade

minha guerra, meu eterno conflito
e minha árvore, que não sabe que creci,
com suas vírgulas esperando meu punho
árvore minha que apaga meu nome
em seu tronco

te acaricio nessa ventania
nesse tempo que passa
não te soltam minhas raízes
desde que te conheci














terça-feira, 22 de outubro de 2013

Ao poetinha



Chegar desapercebido...
Sem chapéu
Terno e despido
Das tramas do requinte
Pra ver a rosa de perto
Pra sentir o silêncio do seu nome
Como num verso de Vinicius
Ainda no primeiro papel

Deixar que a tarde rubre suas nuvens
Com suspiro lento e breve
Antes que o cinza do algodão da saudade
Se misture às cores no céu

Antes de perder o doce instante
Do eterno no soneto
Posto que ainda é dia
Antes da noite e da valsa pequenina
Onde o olhar se perde do tom
Da palavra e do canto do amor poente







Política de uma vida




Pra que serve a vida, senão para ela mesma?










segunda-feira, 14 de outubro de 2013

porta nº618




à frente, uma porta...
indiferente como qualquer porta
de um prédio qualquer e de qualquer cidade

ali, à frente, com um silêncio inoperante
e a potência extrema dessa nulidade

de pernas cruzadas, mirando-a com olhar sereno
mas que insiste no princípio dessa força
que se projeta desse vazio
querendo criar-me um mundo novo
a poucos passos de mim e meu cigarro

A dizer-me que o outro lado pode ser um outro país
uma outra casa, uma outra cidade
onde a vida sempre existiu
repleta de sua lógica circunstante

a convidar-me ao fundo dessa travessia
aportando meu corpo
e a senha de minhas sete chaves
enquanto permaneço sentado
numa contemplação de quem ouve uma música
no impasse entre a marcha e o ad libitum
a inquietação que tenta sussurrar-me uma campina
enquanto não sei se é noite ou dia
um lado e outro do meu rosto
o possível  é o que me toca
mesmo cumprindo esta imobilidade
neste breve momento...
e são tão poucos os poucos passos