quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

a mãe d'água




quando pequeno quase me levou o rio
sua água de barro e meu olhar profundo
brincando com a luz turva do céu
e não sabia que fantasia fora aquela
me transpondo ao entre-mundos
plasmando aqueles pouco segundos frios
me desnascendo dos humanos
no seio da mãe d'água

pouco me lembro
mas não temi aquele novo estado
contemplando o desconhecido
como tocaria o rosto de uma fera
para sentir o seu pelo e sua forma bela

assim o destino me regressou
tragado pelos pés com o mundo invertido
estranho para o meu estado líquido
ridiculamente posto a favor da gravidade
renascido súbito pelas mãos fortes de meu pai
e o espanto dos limites do que pode um ser
quando brinca com areia a beira do abismo








Um comentário:

Angélica Vieira disse...

Desde o imensurável desdobramento da existência, quem sabe o momento que foi - transpassado? Senão do instante que se renasce: a cada segundo. Entre realidades obtusas o nascer é sempre o início de morte.