segunda-feira, 17 de julho de 2017

Espera





por algum bem
permanecer distante
desejo educado
represa plena  no silêncio das suas águas

um mar em um copo
o mundo num bolso
a sinfonia no papel
a história no papel
livros fechados

a memória na carne
que suspira pela janela do olhar

a visão que se completa
a canção que interpreta
a razão que vira fera
a espera
a espera...



quarta-feira, 5 de julho de 2017

momento








Queria, nessa imagem, estar
ficar apenas em silêncio
e olhar, olhar...

pouco a pouco me tornar a árvore
me tornar o capim dessa campina
me tornar a névoa
acalmar-me em seu movimento de vagar

e ser esse quadro toda a poesia
ser um conforto para qualquer tormento
uma oração do monte
ser o esquecimento
a eternidade e o momento







segunda-feira, 3 de julho de 2017

Enquanto






espero um pouco mais
antes de dormir
antes do corpo vencer os pensamentos
e concordar com tudo que não foi ainda

espero a chuva passar
a água ferver
o sinal abrir
o malabarista, na pausa dos carros
por alguns trocados
pela atenção

espero, sem atropelo
sem hora certa
sem dia certo
mesmo na incerteza do que será

esperar
por vezes é tudo que se pode ter
na ação mais dura
ante a vida urgente

esperar
desesperadamente
só por saber por que espero
sem questionar
por que quero





terça-feira, 13 de junho de 2017

Roubado





fui roubado mais que o devido
por muitos ladrões impunes
esses ladrões invisíveis
que entram pela janela, pela tela
pelos olhos e ouvidos

roubando o precioso tempo
quebrando memórias
que estavam cuidadosamente guardadas
como objetos delicados
mas que pra esses ladrões não têm mesmo valor

roubaram a inspiração, a idéia
o gosto, a alegria
justo por eu não manter a porta trancada
o portão da rua fechado
o cofre do sentimento segredado

e fico a pensar
será que saberão o que fazer com o que foi roubado?
terão o cuidado com cada uma das coisas
cada uma das imaterialidades
que valor as tornará?

levaram tanto...
nem as palavras como amigas me restaram
para conversarem comigo
para consolarem esse réu nessa solitária
sem lei, sem direito, sem juiz

queria que fosse como um livro roubado
que quem roubou mudasse a vida com a leitura
que virasse a página

mas nem sempre temos a sorte
de um bom engano
de ficar na mão
de ter sido feito por um bom ladrão






terça-feira, 30 de maio de 2017

ícaro lunar




foi tão perto
por ali, não sei onde
mas pude sentir que aquela tarde
que ia se desfazendo em cores
também avançava sobre mim

a cidade virou um labirinto
enquanto me crescia por dentro
um desejo de Ícaro lunar
para do alto, tornar tudo mais simples
poder te avistar

longa espera por essas asas
onde o silêncio pousou
onde a noite pousou
onde se perdeu o caminho
a jornada

já amanhecia
e era preciso ignorar, por fora
o que me fez noite e silêncio
em algum lugar por ali
que não deveria
estava tão longe
inesperadamente ali...






terça-feira, 23 de maio de 2017

Perdedor





ando perdendo
não como mal jogador
pois não há jogo
que entenda a regra do amor

colecionando horas
pequenas
longas
maiores que o tempo

ando perdido
no momento
no cálculo exato
que é certo e preciso
plano, liso, que é fato
sem poder dividir
elevar, equacionar
sem ter raiz

bom perdedor talvez
de datas, de cotidianos que sejam
de sono, de sons e toques
de chegadas e de partidas

perder sem ter
privado à revelia
semente jogada ao fogo
que um desejo fantasia

perdedor
no corpo
no movimento
cavaleiro vencido
aqui parado,
e por dentro
a sensação de ter partido




segunda-feira, 22 de maio de 2017

Presente






ficou no corpo
o toque alumbrado
das tão poucas vezes presente
na porção vital do perto
vezes tão poucas

uma raridade
que não permite o domínio
seja de reis ou senhoras
não cede ao império das normas
nem mesmo a sensatez da ética
ou a sua crueldade

seja o que for
o que será mais que o presente?
presente, condição inigualável
nada mais que o estar
maior ação que o verbo pode ter

presente, em silêncio, ser
em silêncio sim
forma mais eficaz de usar o tempo
a vez

talvez, seja a forma de se encontrar
ou o porquê para este perdido

sem o encontro
o caminho será todo lugar
qualquer lugar não haverá destino
serão apenas coisas, muitas
tempos, muitos
coisas demais
tempos demais
tudo demasiado

poucas vezes
vezes tão poucas
e em cada,
demasiadamente tanto...








quinta-feira, 18 de maio de 2017

Calenda
























seria apenas mais um dia
se não fosse esse ponto cardeal
que me põe um norte
que me faz girar lentamente
e contemplar essas estrelas

se não fosse esse signo que rege
as constelações de flores
e o desabrochar de desejos tantos
em um além que é dentro
em um silêncio que é canto

se não fosse um bem-me-quer
despetalado no rosto
nas mãos se abrindo
ou no botão que guarda
o segredo de uma espera

uma gestação de sonhos
presos no imaginário
nesta conjunção distante
que se esconde no meu calendário

seria mais um dia
se não fosse essa vontade que aflora
se não fosse nessa noite
minha aurora....



segunda-feira, 15 de maio de 2017

sobreviventes





a vida não espera...
não nos espera entender
nem nos dá tempo de decifrar seus códigos
imediatos
lentos

ela nos acorda, ainda com sono
por vezes nos deixa surpreender com o sol do meio dia
com a idade que avança sobre o corpo
e nos faz parecer com um lugar que não reconhecemos mais

não espera mesmo

se acaso insistir em pensar sobre a vida
em tentar entender qualquer que seja o destino
se existe ou não
o que quer que seja isso
isso que é maior que qualquer entendimento
que não fala outra língua que não a do sentimento
por que não olhá-la nos olhos e sorrir para ela?

se a brincadeira que a vida lhe põe for dolorosa
se for a falta que te subtrai  por dentro
que te rouba o centro
cante... e tire ela para dançar contigo

se no meio da canção travar a voz
esse instrumento que vibra como a vela
na ventania dos momentos
se não tiver jeito de atravessar

melhor não pensar...








quarta-feira, 19 de abril de 2017

estorinha pra dormir





nada mais belo que o olhar brilhando duma criança
acreditando em uma estória de mentira
como uma pequena fogueira no meio da noite
como a primeira estrela
e ela sorri
porque crer nessa estória
é vencer o impossível
será o amor uma crença?
uma estrela?
uma fogueira?
talvez seja o coração uma criança....





segunda-feira, 17 de abril de 2017

Sobre a mesa




tem seres que nos roubam absurdamente
roubam nossos filósofos
o céu e todo universo admirado
canções
desejos
tantas coisas...
porque todas elas
tornaram-se metades

nem o tempo e os pensamentos escapam
tornando tudo um grande vácuo
tudo isso sem nada sair do lugar de fato

talvez sequer tenham roubado
não.
nós é que perdemos
o caminho de reencontrar as coisas

apenas apostamos alto e perdemos
e as cartas já não estão sobre a mesa
mas o jogo sempre vai continuar
até depois da meia-noite
novos apostadores talvez
mais fichas
para lançar
para dobrar, perder

para cair...





quinta-feira, 13 de abril de 2017

Cinzeiro



deixa ir
sem que ficar seja um adeus
sem parar seu mundo
sem se separar do mundo

imóvel ainda
no instante que pesa
que não sai
que não vai

cerca por dentro
o medo da permissão
de soltar a mão
de mudar

é assim
como as cinzas do que não queimou
um calendário sem ter sido usado
sem pequenas marcas nos dias

e só bastaria ser simples
ser leve
bastaria apenas deixar ir




Casa





porta aberta
encostada
por onde entrou um raio de luz
pela fresta, um fio de luz
feriu como um amanhecer

era para ser visita
deveria ficar na sala
e não esses passos adentro
para os cantos de quem mora

não devia saber o linho
das nuvens do lençol
nem era para este céu coberto
de tantas tempestades
abrir-se em flor nessa manhã

na morada silenciosa
não se segura um alvorecer
ora dia, ora noite
agora, casa sem teto
cômodo vazio

trancas rompidas
janelas estilhaçadas de olhos turvos
tudo fora de lugar

apenas um lugar
marcado como uma fotografia
para se guardar





terça-feira, 11 de abril de 2017

Seu quintal





não me permitiram entrar no seu quintal
tão pouco entrar na sua casa
assim fiquei do outro lado da rua
lá estava aquele lugar impenetrável
revestido do meu olhar

mudaram minha rota
com o cuidado e a precisão que tem o desencontro
espelho intransponível que guarda dentro um outro mundo
meridiano que separa a fortuna duma pobreza
fronteira de outro país
e eu estrangeiro sem ter mesmo imigrado

cruzar a rua
quebrar o espelho
invadir
qualquer forma será proibida
será uma contra-mão para esse cavalo solto na rua

um dia ainda pego o acaso distraído
e inventarei um salto que só a leveza permite
que só o esquecimento pode abrir passagem
para enfim errar mais uma vez







segunda-feira, 27 de março de 2017

Cavaleiro inexistente





















hoje
palavra que desliza lenta
às vezes
às vezes avalanche

Pronome
que confunde suas pessoas
um nós que parece eu
um tu que parece eles

verbo
que parece não se mover
no mais profundo estar
permanecer...

hoje, eu estou
tão fora do tempo
tão dividido
e incompreensível





quarta-feira, 15 de março de 2017

esquina





mais uma esquina do mundo
parece única
por que é esse meu ponto de vista
que não é o único
mas é o que tenho
assim será o mais importante do mundo
não do mundo, mas do meu mundo

as esquinas se parecem
mesmo ângulo
sem serem as mesmas
pois sei que nos escapa tudo que é único
tudo que para muitos quase não tem importância

queria ter mais caminhos
como se pudesse caminhar neles
e descobrir coisas novas
mas saio carregando mapas
que desejo voltar

mesmo  essa rua sem saída
me parecia um caminho sem fim
um começo
o meio de encontrar
minha casa
meu lugar
meu endereço

e agora
parece que moro na rua
sem casa, sem quarto
sem cama
e parecia tão meu aquele lugar,,,







terça-feira, 14 de março de 2017

Segundo copo






o segundo copo...
fico olhando-o
como se fosse uma outra pessoa
em frente ao meu
onde me transponho também
em esmalte, cristal ou apenas um vidro qualquer

personagens sobre um palco
mesa singela
na qual espero me alimentar
matar a sede de um corpo vazio
por um segundo que seja

enchendo do que for para o momento
de cerveja ou vinho
de café ou água
de qualquer coisa quente
de algo frio, gelado
algo que evapore, transpire
que mude o gosto
em qualquer estado

basta apenas que seja
um outro copo
um outro corpo
ao lado










quarta-feira, 8 de março de 2017

poucas palavras





ainda não sei "pra que poetas?"
inútil a poesia, talvez
de poucas palavras
como seres que só sabem de si

palavras tão incompletas
como todas as vontades
fora das linhas
fora dos trilhos

pra que ruas, também
se tantos desencontros
andam por todos os lados, por aí?

fugir... inútil
por ruas ou poemas
perdidos, desorientados
fugir como o violeiro foge
na canção
nos tons
e nos dedos
os medos







quarta-feira, 1 de março de 2017

Devaneio














esquecemos tanto
a cada dia
do aroma que evapora
em tudo que é dito
com encanto de sorriso
em cada palavra
em cada vírgula desenhada no rosto
no canto da boca

será coincidência
o céu ter a sua essência
ao ver na nuvem branda
que só de olhar
muda o tempo da vida
e nos faz respirar?
um azul que invade o peito
como se pudesse voar

esquecemos tanto
de como a pele desperta
com o simples leve toque
esse jeito mudo de falar
bem mais do que pode a língua
bem mais que um poema
sem nada faltar

um corpo só
é um monólogo quieto
um grito sem eco
na gaiola do peito

tão presente é a incerteza
se esquecemos tanto
como algo que já foi vivido
ou terá sido sonhado
ou num devaneio, imaginado

misteriosa lembrança
essa que insiste sempre
forma estranha de se encontrar









terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Cadência






então a gente vai levando
mesmo que caia, subitamente
uma coisa qualquer

algum sentido
alguma força
ou, quem sabe, um dente
sempre algo cai
a coisa aparente que não se aguenta
a idéia da mente, sem experimento
a tez
o orgulho
o pano
a ficha

cai, cai o balão
que antes subia
que antes era canto e cabia na mão

cai a capoeira
cai bem, cai mal
cai a regra, a lei
o tronco
a semente
cai dentro, cai fora
aos pés
no chão

cai o pão, com manteiga para baixo
cai a sorte
cai o jogador
até o que cai levemente
a pétala
a folha
o orvalho na manhã

tudo cai, tudo cede
o muro que divide
a ordem geral
a conquista
a marcha
o símbolo
o pedestal

mas a gente vai levando
nas costas
na cabeça
nas mãos
na boca
uma vontade oca
de levantar

mesmo assim
a gente vai levando
a gente vai passando
a gente vai









sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Quietude




mais quieto, talvez
até tudo passar
sem vez, ficar de fora
e por fora, sem entrar

antes, o futuro
mas só se pode ter o agora
e o agora é uma ponte sem fim
que transforma toda chegada
em infindas pontes abertas
e a travessia, uma cruzada

andar, talvez mais tranquilo
e talvez seja tudo o que importa
esses passos, nada mais
ouvir cada instante
sem rumo
com prumo
no tempo desse coração batucador

andando cirandeiro
dançando na festa de qualquer dor
e se por acaso o amor for vilão
for a punhalada, o peso e o pisar
seja essa estrada
com curvas de sorriso
e olhares de improviso

apenas quieto
como a pausa que antecede a música
pra aumentar a fome
do banquete da vida







sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

por dentro, por fora...





se eu não sentisse
talvez seria branda qualquer dor
ficaria mais leve
sem tirar-lhe uma mínima parcela
seria como uma palavra num dicionário
com significado
mas sem sentido
sem corpo do texto
conseguiria o bom comportamento
o esperado e medido
com a mais alta perfeição
se eu não sentisse

trocaria os pesos por medidas
o encontro por uma reunião bem sucedida
a alegria por um bem-estar
a possibilidade por algo mais certo

só não sei se teria sentido a cor
ou o olhar que é mais que um sentido
o gosto, o toque, tudo mais, assim
não seria esse livro aberto
temendo virar a página
e os sentidos que estão por vir
daqueles que mudam por dentro
para mudar tudo por fora
como um livro que não se fecha
mas se guarda
um livro que tem nome
como se fosse alguém

não teria ouvido as canções
mesmo as que fazem perder
os sentidos das coisas por algum motivo
não me transportaria para a voz delas
não faria sentido a saudade
nem teria lido seu olhar
se eu não sentisse...











domingo, 12 de fevereiro de 2017

Berceuse






que força tem o tempo
que é capaz de empurrar tudo para frente
até mesmo as pedras imóveis
os grandes monumentos
as montanhas
as borboletas
e os relógios quebrados

sai carregando tudo
sem a menor piedade
o momento bom que queria nunca acabar
os momentos ruins que deveriam passar

capaz de empurrar o corpo
mesmo cheio de dores
sem a menor perspectiva de um outro dia
mesmo sem forças para andar

o mesmo tempo que dançou com a alegria
e que se atreve a tocar o amor

ou terá a sutileza de cuidar das lembranças boas
no mais guardado do peito
transgredir sua própria força
e trazer consigo a brevidade dos instantes

mas tem a possibilidade de ser um amigo
sem frustrar as palavras "para sempre"
tempo...
faz dessa noite um encanto
como estória para criança adormecer









sábado, 11 de fevereiro de 2017

Peregrino





terei pecado
tocando a flor daquele arbusto
tão bela e verdadeira flor
que além de qualquer primavera
é como um sol
é como a lua

nem sabia que estaria em meu caminho
nem era para ser aquela jornada
por onde iria o meu cavalo
com passos perdidos naquela estrada

tão perto que pareceu ser minha
tão aberta que parecia sorrir
e nunca se fecharia ao meu olhar

e tornou-se o caminho da minha flor
virando destino
norte estelar

como sempre, um peregrino
flor do meu caminho
já volto sem nada
com as mãos vazias
a mente cheia
e o tempo lento

no silêncio da lua e do sol
na flor do momento
do meu estradar









terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Música







quando te ouvi
soube que era a minha casa
onde me caberia a liberdade
de caminhar por teus cantos

onde eu poderia adormecer seguro
cruzando a ponte do real para o sonho
sem notar

sabia também que era muito maior
muito mais vasto
mas o quanto eu te percorresse estaria dentro
ou quanto me afastasse te levaria
só não sabia que às vezes você se esconderia de mim

reclamo destas pausas
porque depois de um tempo
são como gritos
porque são como lugar nenhum

porque não quero perder em mim aquele som
daquele mundo se abrindo
daquele instante imenso
quando te ouvia...







quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Terna






bela vida
que nos dá, nos tira
sem discutir
sem uma voz da vida
que pudesse dialogar antes

ela chove sempre...
quem poderia parar de repente uma chuva?
pois ela não tem o verbo acabar
e essa é a permissão de tudo existir
os fins, os meios e os princípios
muitos deles

por isso é preciso achar o tempo dessa valsa
e dançar com ela
girar com ela
assim o corpo repousará em seus braços

apenas os que sofrem é que estão sentados
enquanto a música toca
enquanto não percebe a bela
tranquila e prestes aos passos

a via é bela
é terna

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Cadente





não sei por que, mas
lembrei duma folha
que pensei ter caído, leve
ou não terá sido?

uma folha
leve dúvida
certamente que não sei
apenas o que sei mesmo
é que as folhas caem

sei também que minha dúvida
 é quase como o vento
para quedas
e voos breves

e em toda dúvida
sempre sopra leve uma brisa
ao pé do ouvido
quase que como a pele do tempo
tocando no rosto
enquanto os galhos dançam

e somente no meu olhar
aquela folha que não sei se caiu
ainda flutua...

apenas uma certeza tenho
que essa ventania
adentra no outono da memória cadente





quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Destino





se existe ordem nas coisas
em tudo que acontece
nos infinitos caminhos
dos novelos dos dias,
quem saberá?

se vem das estrelas
força que acaso nos guie
ou do acaso simplesmente,
este caos aparente...
conspirando quieto

ou será o inexistente
medo que assombra o poeta
mas por ser palavra dita
existe contraditoriamente
sem verbo, oco, ilusão

mais certo o momento
que a situação
mais forte o instante
que o entendimento
mais leve o sentimento
que a permissão

depois, apenas o inevitável
para se viver
irreversivelmente

um encontro pode mudar o mundo
desmontar o mundo
e tudo vai parecer
daqui para frente...