segunda-feira, 9 de julho de 2012

Meu sertão



Quando falo sertão
Minha voz ecoa nos cantos de meu peito
Como numa sala vazia
D´um casarão abandonado
No fundo do sertão, casa de fazenda
Como o vento que faz redemoinhos pelo chão empoeirado
Sertão d´um tempo esquecido
de estórias que só as nuvens contam
Vidas de couro
De tempos de horizontes azuis
De silêncio agreste
Conversas de garranchos
Chispados pela ventania
Como o som de um mar
Um sertão que é em volta
que é laço e tronco
Silêncio de rosto de vaqueiro
Descanso de jornada
Cavalo reclinado na porta da venda
Único lume bailando formas nas paredes
Alumiando as "idéa" que pinga
Até que a hora se deita
Noiva dos solitários tropeiros
Se junta e entra 
Pro fundo de nóis...

(em viagem para Caetité...)

8 comentários:

Renata disse...

Estive eu no sertão
Sertão, tão ser
O que ser no sertão?
Ser sol, poeira, umbu, mandacaru...

Ser a resistência do sertanejo
Que lê os sinais do tempo para a semente semear
Ser o sofrê a pintar de vermelho o céu azul
Ser a resistência da flor do umbu,
do mandacaru, do espelho d'água, da luz norturna,
da moda de viola que ao sertanejo enamora....

Renata disse...

Partes de algo que escrevi há muito tempo.

Lindo o seu "meu sertão"

Recortes e ditos disse...

Nossa!! Muito lindo!
Sinto tudo isso quando estou viajando pra Conquista, vejo os casarões, mandacarus, o sol alaranjado nos rochedos, o céu e suas nuvens brancas que acada olhada vira uma forma e a poeira que o vento faz subir?

Sinceramente? Adorei!

Marco Antonio disse...

primeiro joão...quero dizer q tenho certa aversão à poesia. digo...à forma, ao traçado de rima, às frases q se quebram, à limitação dos compassos de qdo a gente lê. parece curioso até, pq desde os oito anos eu escrevo e mais da metade do tempo eu escrevi poemas. aí fui tomando parte e par de outras escolas. e hoje escrevo pílulas. rs. então...qdo alguém me mostra poesias, eu já crio uma resistência tão grande q, mais q ocasionalmente, paro no meio do poema como se me faltasse fôlego. segundo, tb cresci com enjôo quase físico do sertão. sempre fui do asfalto e da praia. mesmo q minha família por parte de mãe tivesse vindo toda ela de lá do sertão. mas aquela coisa da aridez, do calor extenuante, da náusea, do cansaço, da pele envelhecida...quase desisti de pensar q paisagem assim poderia ter cor. entretanto, tenho reaprendido. a gostar da rima, a gostar do mar q é o sertão. e vc agora me ajuda. pq vc escreve tão bem. mas tão bem joão. é lindo ler o q vc descreve como se fosse tão mesmo real. creio q é até. ainda q vc me pareça apresentar um verniz intelectual q distancia sua imagem do chão, mas creio q é real. e gostei. obrigado por compartilhar seu blog. compartilho agora o meu: http://tomesuapilula.blogspot.com.br

Anônimo disse...

João, posso postar esse poema em meu facebook?

João Omar disse...

Marco Antônio,
Meu caríssimo amigo... Sempre nos encontramos nas ruas, nas horas mais displicentes dum cotidiano de nossa cidadela... Fico mais que honrado com sua leitura desses meus "alívios"... E por sinal, tenho ido ao seu blog de crônicas... você consegue escrever como quem filma curtas, faze clips e converte qualquer decadência em alvo de contemplação ou de permissão ao desejo desprovido de densidades inúteis. O bom é ter desejo de retornar aonde gostamos de ir...
Abraço

João Omar disse...

Sim senhor(a) anônimo(a)...rs Claro que pode... mas ao menos saberei quem sois?

Anônimo disse...

Pode sim...Mariana Trindade