terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Banquete n. 2






nào há mais o que dizer das coisas
não se moverão ao seu sentido chamado
mesmo que sejam ditos seus nomes

serão as mesmas coisas indialogáveis
além de nossos delírios de voz e vento

boa conversa entre os dentes e a comida
uma dúzia de dedos despencam pelas mãos
os cabelos arvorando um sombreado abrigo
para os incontáveis cachos da memória
teu prato principal, mudo de sabores impronunciáveis
teu sentimento pleno, teu cálice rubro
da videira cor de sua estação

toma-o em silêncio







3 comentários:

Anônimo disse...

É o que faço sempre, bebo o gosto amargo da vida em silencio, já que não tenho com quem e nem posso compartilhar.
Não é preciso nem permitido falar nomes.
Não é preciso nem possível dizer nada.
Muito menos ouvir a voz do outro lado, desconcertante e ...
Basta beber, comer e sofrer em silêncio, observando até onde me permitam. Até quando não mais aguentar.
E vou vivendo procurando a felicidade em mim mesmo, agradecendo a oportunidade de ainda poder sonhar, de apreciar momentos de alegria que ainda me restam na inocência da criança e nas palavras daqueles que ainda admiro.
Só assim acalmarei um pouco a fome da falta que me faz...

Angélica Vieira disse...

Silencioso, é como se chega aos jardins.

Quando à fonte vamos beber, um abundante manancial incessantemente banha-nos de completude.

Angélica Vieira disse...

Onde?
As circunstâncias seriam responsáveis?
Vítima do acaso somos nós ao escolhermos o que simplesmente nos abarca.
E o que deveríamos ser?
Deveríamos?
De veras, nós conosco, assim ser.
Assim suceder.
Ascender.