sábado, 27 de junho de 2026

Sem palavras...

 

muita coragem vejo

nesses que adentram em ruinas

onde tudo agora é frágil 


muito cuidado ao pisar, sem sucumbir 

sem magoar as vidas fragilizadas pelo tremor


agora o coração é que treme 

é que teme e tem esperança 

e as mãos destes parteiros do renascimento 

cegas, garimpam vidas sem saber

se ali embaixo se encontra um amigo

um amor, uma criança, talvez agora sem família 


tantas narrativas rotas

tantas dores nascidas deste trauma

que habita no corpo, na alma

sem crer que o motivo disso tudo foi natural 


jamais seremos capazes de entender, jamais

o por quê desta fatalidade sem aviso

de tantas vidas que ainda agonizam

perdendo a esperança a cada instante 

contando com a sorte de que um desses anjos

possam as encontrar 


esses são os que mais sofrem

os que verdadeiramente sofrem 

privados para sempre de um entendimento 

com a única resposta, o sentimento 


só sei o tanto que são inúteis esses versos

mesmo eu querendo beijar teus olhos fechados

para dizer a dor que me amarra os braços 

de longe, bem longe

e essa dor tão perto...


[Dói demais acompanhar a situação da Venezuela após os terremotos. Celebro cada vida encontrada nos escombros, enalteço cada pessoa que se arrisca pelas vidas e choro por cada família que teve perdas...]


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