quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Kunderiana


                                                                                                                                                   foto Carlor R.



Alma fatigada pelos excessos de uma vida reta
Transporta o dobro que aguentam os braços
Quando ainda mesmo cheios os vagões
No obstinado caminho
Das implacáveis estações
O inquestionável move-se
Retumbando uma nação de palavras
Que apelam a essa maltratada vida
E presenteiam elos tão estranhos

A devoção que pertence aos esquecidos
A coroa dos amores decapitados
A revolução que encobre as verdades
Que não cabem nessa língua
Que não protestam
Que estiolam em cantigas

Ser andante descarrilado
Teu cigarro suspira
Desalinhado
Na pausa de tua nudez
No contentamento dos pobres
Na grandeza da noite de um mísero catador
Na brincadeira dos cães
Por um olhar maior
Um silêncio maior
Pra esquecer a contagem
Pra desaprender de vez
Pra caber as roupas sujas duma viagem
Pra certeza do quanto sustenta um sorriso





2 comentários:

Lu Rosário disse...

Belíssimo..

Anônimo disse...

Ìcaro de encontro ao sol, Ícaro transpondo e vencendo o sentido do sol...