sábado, 7 de junho de 2014

Armadilha da memória





morra meu pensamento e deixa meu corpo viver
me liberta desse mundo incorpóreo
me solta
me ensina o esquecimento e a ilegibilidade da vida como matéria fundamental
deixa-me ir voando sem campo de pouso
envolto no que conduzir
correnteza de sentimento

não me ponha longe de onde vou
não me exile do momento nem do lugar
nem me diga das coisas
já não me traduzem estas línguas que aprendi

te digo a mim
me devolve
pra eu saber chegar







3 comentários:

Angélica Vieira disse...

Sempre, sempre belo João Omar. A eterna busca de derivar-se em si mesmo. Em escadas paralelas escalamos, querido amigo. Beijos!

Anônimo disse...

Tocou fundo...
As vezes grito comigo mesmo para que meus pensamentos me liberte.
As vezes me questiono se meus pensamentos são oriundos da minha imaginação ou tem alguma razão de ser.
Não sei o porquê meus pensamentos não se perdem, não se vão... eles estão sempre presentes...
E muitas vezes tenho medo deles, pois são tão fortes que em alguns sonhos sinto minha alma ir ao encontro...
Pensamentos e sonhos parecem tão reais...

Angélica Vieira disse...

Sonho e a memória são os indissociáveis companheiros. Constituídos da mesma substância fundamental, num mesmo eixo se inclinam de fora para dentro e de dentro para fora. Muita gente deixa que os pensamentos vaguem em meio a toda sorte de informações a que somos submetidos, mas com os olhos, a voz e o ouvido de dentro conhecemos a sua razão muito antes de recordarmos, neste momento trago aqui a ação do sentimento.
Pode ser que o sonho nos traga o pensamento. E pode ser que o pensamento nos leve para perto, o sonho.