eu aqui de novo, querendo me resolver escrevendo
quando a falta reclama no corpo
de novo procurando articular qualquer palavra ou frase que me acalme
que me peça um pouco mais de tempo
sem um prazo definido
para romper com essa espera que é tão inerte
se o bonde anda com seu peso e não dá pra parar
assim, de repente
mesmo que seja o que mais preciso
quando o que mais preciso é o mais simples
invejo os que aí por perto
vão à padaria, comprar pão
invejo-os simplesmente por estarem aí
e é tão pouco, mas pra mim seria tudo, seria tanto
palavras são insustentáveis
permanecem em nossa companhia para ajudar com o tempo
enquanto que dizê-las nos torna um pouco mais serenos
como se fizesse alguma coisa, ao menos
mas sinto o passo, lento, o caminhar no rumo
me levar pra perto, pra sem mais palavras
o simples estar, silenciá-las