sexta-feira, 3 de julho de 2026

Ventania

 

bem lá

no horizonte da sertania

em giro aberto, no centro nordeste da solidão, surgia

o sol trazendo a borda incandescente, feito a beirada dum chapéu

levante dum cangaço chispando estrelas no encourado contra o céu


passo curto, corrido, aprumado que varia conforme o caminho

é o couro cozido, desquinado, é o fio, é a lã, é o linho


é o vaqueiro que enfrenta Lubião

lua nascendo no cume da serra

sonho desacordado que erra

no meio da escuridão

pêlo, crina, cela e destino

esperança que vai consumindo

no lombo do seu prateado

no trote, galope na terra

 do catravo dessa montaria

vai pelo descampado da terra, 

na descida, é vereda, é ventania


mão-de-pilão não aponta o dedo

pra o coração do corpo fechado

vai pilando a tristeza, a esperança, 

a lembrança no tempo cortado, 

o verso perdendo o rimado

misturando no pó da estrada

a cantiga dessa cantoria

o improviso que é um quase nada

pro tamanho que foi do meu dia








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