quando eu era jovem, tinha um olhar mais puro
como quem não cresceu direito, parado no tempo
de uma ingenuidade e gentileza quase carinhosa
sempre a crer que diziam a verdade
imaginava demais, tantos devaneios
havia algo no ar que era inspirador
acreditava em qualquer pessoa
acreditava no amor
me importava mais com os mínimos detalhes
que sempre desapercebidos
ficavam quase que escondidos
diante de todo olhar comum
me encantava com a beleza
que há em tudo, em todos
e achava que qualquer um merecia mais que eu,
o que quer que fosse
mas a vida foi me consumindo
em cada nova experiência uma nova lição
muitas investidas em que me pus aberto
senti o frio, a dor e o erro
como quem está na contra-mão
depois de colecionado muitas perdas, muitos enganos
ainda assim prefiro ser aquele menino
e não ficar brigando com o destino
e aprender de vez a não ter planos
hoje um silêncio me atravessa
e nem sei qual lição aprenderei
só me sinto como naquele tempo
colhendo os frutos de minha ingenuidade
e do amor que acreditei
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