sábado, 6 de junho de 2026

Ingenuidade

 



quando eu era jovem, tinha um olhar mais puro

como quem não cresceu direito, parado no tempo

de uma ingenuidade e gentileza quase carinhosa

sempre a crer que diziam a verdade


imaginava demais, tantos devaneios

havia algo no ar que era inspirador

acreditava em qualquer pessoa

acreditava no amor


me importava mais com os mínimos detalhes

que sempre desapercebidos

ficavam quase que escondidos 

diante de todo olhar comum


me encantava com a beleza

que há em tudo, em todos

e achava que qualquer um merecia mais que eu,

o que quer que fosse


mas a vida foi me consumindo

em cada nova experiência uma nova lição

muitas investidas em que me pus aberto

senti o frio, a dor e o erro

como quem está na contra-mão


depois de colecionado muitas perdas, muitos enganos

ainda assim prefiro ser aquele menino

e não ficar brigando com o destino

e aprender de vez a não ter planos


hoje um silêncio me atravessa

e nem sei qual lição aprenderei

só me sinto como naquele tempo

colhendo os frutos de minha ingenuidade

e do amor que acreditei








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