domingo, 30 de agosto de 2026

Sem permissão

 




é preciso ter cuidado com a fragilidade que sustenta a vida 

saber a grandeza que tem o afeto 

ter a mínima ideia de quem sente

pra guiar o mínimo movimento, sabiamente


mesmo na intransponível intimidade

onde se guarda segredos

neste recinto de palavras mudas

de escritos leves em folhas finas

tão delicadas, evitando o toque

o sentimento repousa, para não acordar


mas se desperta, se alguém invade

se a palavra rompe o silêncio

se agora ela canta, plena em seu reverberar

se agora ecoa na casa do corpo

em tons inesperados

é preciso cuidar e ter cuidado

é preciso interpretar


verbo que apenas sente, sem se conjugar

que já não tem significado

apenas sonoridade, corpo em vibração

mesmo na pausa, nunca cessa

valsa que levita os passos

e em silêncio, a pulsação


simplesmente cuidado

o se importar com a sensibilidade

algo além da própria vontade

que acima brilha feito o sol


amar é o mais profundo respeito

é abraçar toda e qualquer partida

e apenas saber que a vida

não pede permissão








quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Aflora

 



não sei como tirar de mim aquele olhar

que ainda me acompanha, que ressurge silente

na pausa de momentos quietos

nem sei por que permanece


se os dias correm em um momento

noutros andam lentamente

e me fazem perceber a calma que a natureza tem

como se me perguntasse, o que ando fazendo?


ela me ensina que todo movimento tem um retorno

um oscilar que move o coração da vida

que por mais que se disperse 

não se acaba, não se finda 


e sei que mesmo fragmentado meu sentimento

o pó de meus amores, minhas dores, se torna nuvem

e de vez em quando, quando menos espero

cai suave chuva em meu rosto


é quando olho para cima

e não sei se trago um sorriso ou um choro

só sei que neste instante em que a saudade aflora

me demora...


terça-feira, 11 de agosto de 2026

Rebanhos

 



o tempo mudou

do céu claro e azul para nuvens cinzas

uma neblina fina cai, chapiscando essa tela

como um véu de silêncio e mistério

um silenciar de sonhos com incertezas de orvalho


sim, é leve como o esquecimento


estranho poder olhar nesse espelho do tempo

sem me reconhecer por dentro

e perguntar, onde me perdi?


mais estranho ainda é ter nas coisas banais

o motivo que me projeta para o próximo dia

e, talvez, esperar que algo novo aconteça

que possa tentar me abraçar, e que aqueça

esse corpo cismado e descrente


quem sabe a sorte me entregue esse pavio

para a mínima centelha de um olhar

me trazer de volta um sorriso


ou talvez romper essa muralha

para que eu possa soltar os meus rebanhos

e que do amor libertos

não me sejam mais estranhos




domingo, 2 de agosto de 2026

Nobreza

 



delicado...

como a última pétala que se soltou

dessa Margarida

se as flores são vida, se vivem as estações

lágrima caída no seu rosto

puro sentimento


complicado...

se a espada é uma palavra

afiada por todos os lados

melhor não deixar perto do coração

aquieta na bainha do silêncio

até passar a guerra


confuso...

entender ao certo o que se sente

desvendar o nó de tantos laços

sem saber se ganha, ou se se perde

nem o quanto custará em sua vida

chegar até a ponta

decisão


necessário...

tempo pra entender melhor

talvez sentir de outro jeito

até se tornar um corpo estranho

para preservar os outros

e encontrar algum lugar

no meio de tudo

que tenha a nobreza da imobilidade

mesmo sendo isso o sacrifício

de sua vontade









domingo, 26 de julho de 2026

Árvore

 



agora apenas corpo, trabalho e caminho

pra que pensar mesmo?


não vale a pena o que não tem jeito

se acostumei a sempre querer voltar,

guardar sempre essa esperança,

agora apenas corpo, trabalho e andar...


seguir é dar as mãos ao tempo

pedir uma pausa ao sentimento

e cuidar desse pobre coração

ter na paz uma meta de harmonia

respirar sem dor, sem agonia

e cuidar do corpo, do trabalho e do estradar


corpo, trabalho e caminho...

sem olhar pro lado

corpo, trabalho e caminho...

basta olhar pra frente.


já não quero nada ruim em meu peito

nenhum despeito, desespero, rancor

só quero flores pequeninas a cobrirem esse monte

sentir o vento entre as cores, dando movimento, respirar...

lembrar de tudo que merece ser lembrado

e esquecer, esquecer, esquecer...

e se for preciso, afastar, afastar...


devo, sinceramente, aprender com as árvores

parecem solitárias, mas autônomas em sua copa

os pássaros fazem ninhos, a acordam antes da aurora

servem de haste para um balanço para uma criança brincar

fazer casa-da-árvore, viver fantasias

ser onde escrevem seus nomes

onde a boiada repousa, fugindo do sol


sim, preciso aprender com elas

lembrar que tenho raízes

mudar a cada estação

e mesmo depois de morta

ser uma porta, um violão

ter novas histórias, ser uma janela

onde a mais bela fica a olhar a rua

vendo a banda passar


ser onde se recosta um outro corpo, cama

uma ferramenta de um trabalhador

e ser uma ponte

seja lá pra onde for



segunda-feira, 20 de julho de 2026

Casca




não tenho tempo para sentir

tão ocupado que está meu tempo 

e a responsabilidade me obriga a seguir 


tão estranho fica o corpo

desconfiado dessa estabilidade 

que mais parece um salva-vidas 


jogo essa pedra para cima

sem esperar que caia

imaginando que corrompeu a gravidade 


sigo, já faz um tempo 

nessa marcha de qualquer destino 

e receio o retorno do sentimento 


hoje não 

por sorte, ainda não 


quem sabe assim eu vá indefinidamente 

e faça nascer uma outra história 

sem as dores invisíveis 

e sem memórias 





segunda-feira, 13 de julho de 2026

O Depois

 


me dói esse passo

esse que agora tenho que dar


caminho de olhos fechados

e apenas essa direção incógnita

é o meu caminho


que Deus guarde meu caminhar

porque os destinos ainda não me acolhem

sequer são destinos


que eu apenas vá

todos meus sentidos já estão cansados de lutar

e precisam de algum descanso

e eu de um recomeço...





domingo, 5 de julho de 2026

 


eu já devia ter entendido

ter crescido

aprendido

já devia ter mudado

desacreditado

isso já devia me ter sido revelado


já devia ter saído

acabado

ter sido esquecido

ter me cansado

desistido


eu já devia

devo, não nego

pago quando puder


só está comigo

nem sei mais por que

por tanto tempo

não entendo

portanto, me rendo


que fique, que viva

que permaneça

que sobreviva o quanto quiser

se não posso lutar, eu abraço

eu escondo nesse silêncio

com todo carinho

com todo cuidado


só não quero perder a ingenuidade

que me tornou quem eu sou


só assim não me perco de mim

só assim não minto


admito

sigo

e não vou parar







sexta-feira, 3 de julho de 2026

Ventania

 

bem lá

no horizonte da sertania

em giro aberto, no centro nordeste da solidão, surgia

o sol trazendo a borda incandescente, feito a beirada dum chapéu

levante dum cangaço chispando estrelas no encourado contra o céu


passo curto, corrido, aprumado que varia conforme o caminho

é o couro cozido, desquinado, é o fio, é a lã, é o linho


é o vaqueiro que enfrenta Lubião

lua nascendo no cume da serra

sonho desacordado que erra

no meio da escuridão

pêlo, crina, cela e destino

esperança que vai consumindo

no lombo do seu prateado

no trote, galope que ferra

 o catravo dessa montaria

vai pelo descampado da terra, 

na descida, é vereda, é ventania


mão-de-pilão não aponta o dedo

pra o coração do corpo fechado

vai pilando a tristeza, a esperança, 

a lembrança no tempo cortado, 

o verso perdendo o rimado

misturando no pó da estrada

a cantiga dessa cantoria

o improviso que é um quase nada

pro tamanho que foi do meu dia








quarta-feira, 1 de julho de 2026

Portas abertas

 


tem aquelas onde a beleza é imperiosa

e exercem um domínio natural que se expande

que torna o estar em subjugar-se

como uma ideia fixa interminável

que habita por um longo tempo sem querer sair

até o corpo finalmente expurgar, deixando marcas de guerra


também aquelas que conquistam

com pensamentos, presença de mistérios

abismos mágicos de cores e formas, pinturas

e são do campo do impossível

essa coisa que nos prende pela estrutura

nos afasta pelo respeito e nos une pela arte


tem as que são demasiado dos momentos

sem pensar direito deixando as coisas irem acontecendo

tornando-nos apenas pontes para uma travessia

e simplesmente passam, sabe-se lá para onde

sabe-se lá onde o afeto se esconde


outras nos adotam, como algo que escolheu

experimentam momentos e lugares 

encontros e viagens como se fôssemos algo delas

até cansar, até não se importar

até cortar o tédio, como se fosse o melhor remédio


tem as que trazem um mundo com elas

que superpõem fantasias sobre a realidade

talvez os seus projetos mui tradicionais

embora com afetos, os planos valem mais


tem as que são bem mais do que esperamos

que faz nosso mundo explodir em vida

dão sentido a qualquer coisa, mesmo tola

nos enriquecem, nos torna ao que somos

depois vão embora, pra bem longe


tem as que não sei contar

talvez nem mesmo eu possa fazer isso

melhor eu nem tentar, apenas aceitar este caminho

este destino que me chama, por todos os lados

para seguir só, abrir as portas e sair

e nunca mais deixar alguém entrar





sábado, 27 de junho de 2026

Sem palavras...

 

muita coragem vejo

nesses que adentram em ruinas

onde tudo agora é frágil 


muito cuidado ao pisar, sem sucumbir 

sem magoar as vidas fragilizadas pelo tremor


agora o coração é que treme 

é que teme e tem esperança 

e as mãos destes parteiros do renascimento 

cegas, garimpam vidas sem saber

se ali embaixo se encontra um amigo

um amor, uma criança, talvez agora sem família 


tantas narrativas rotas

tantas dores nascidas deste trauma

que habita no corpo, na alma

sem crer que o motivo disso tudo foi natural 


jamais seremos capazes de entender, jamais

o por quê desta fatalidade sem aviso

de tantas vidas que ainda agonizam

perdendo a esperança a cada instante 

contando com a sorte de que um desses anjos

possam as encontrar 


esses são os que mais sofrem

os que verdadeiramente sofrem 

privados para sempre de um entendimento 

com a única resposta, o sentimento 


só sei o tanto que são inúteis esses versos

mesmo eu querendo beijar teus olhos fechados

para dizer a dor que me amarra os braços 

de longe, bem longe

e essa dor tão perto...


[Dói demais acompanhar a situação da Venezuela após os terremotos. Celebro cada vida encontrada nos escombros, enalteço cada pessoa que se arrisca pelas vidas e choro por cada família que teve perdas...]


segunda-feira, 22 de junho de 2026

 


Hoje, apenas relendo para quem sabe aprender com minhas visões internas, já que não desejo entrar em redemoinho de versos repetidos. Muito já foi dito, pensado, sentido. Reler como revisitar o tempo passado e perceber os seus ciclos. Depois, talvez, retorne com algo novo. Mas que seja bem diferente destes caminhos trilhados ou destinos perdidos. Como a música, hoje, a pausa, o silêncio agora mais interno que nunca. Um trabalho interno lento, que escuta mais, aprende mais e espreita o salto para fora desta sela, cheia de armadilhas que renascem pelos cantos. Para elas, meu silêncio de sangue e pulsar do coração.


Polifonia (5/03/2013)


sexta-feira, 12 de junho de 2026

Regresso

 

só um tolo é capaz de tantas proezas inconsequentes, 

numa noite ou num dia quente

como se comesse, como se começasse, comovesse

as tripas enlaçando o coração

e o sangue não mais viesse, para prometer a redenção

tudo como de costume e mesmo que acostumasse, 

não saberia dizer qual a razão.

contudo, se na guerra entrasse

vermelho no céu da aurora como uma explosão

senhora, senha, código, digo que só me tem a sanha

cenho que traduz a cólera, talvez essa coleira a que me reduz


o cão que aspira a liberdade, que não faz questão sequer da humanidade

da pena que não vale o sentimento, da asa de ícaro que foge ao vento

do sol que dilacera e que derrete a cera 

saindo desse maldito labirinto que o deus do amor construiu


quem vai saber talvez dessa ingenuidade

não saberá do sabor que tem, o gosto da maldade

o peso que transporta o corpo, atravessado e morto

o caos da solidão


e o uivo ressoa no vale, como o silêncio em meio a multidão

um canto de banalidades neste parque vil de diversões

caminho, pois, entre esses tantos e tantas

que urgentes marcham com tantas coisas por fazer

ignorando a intimidade sobreposta com os planos

castelos e contos, as contas, e todos os modelos ideais


recebo, porém, o olhar das crianças, essas que me veem quando ao passar

e se tenho delas um sorriso, ganho esperança e penso em algo melhor me tornar 

tornando-me o que foi esquecido, mudando de rumo para o meu regresso

talvez eu sendo novamente tolo, mas sempre acreditando ser sempre verdade

posso estar muito errado, mas para mim, isso é o que espero da humanidade.








segunda-feira, 8 de junho de 2026

Espera


 às vezes não sabemos bem lidar com a espera

se é algo que devora inteiro ou a metade

às vezes só queremos ter uma resposta

do que não se sabe só pra entender


se o sentimento não sabe ver hora

confunde o agora, agoura o depois

devemos ter de fato só um pensamento

pra cuidar do corpo quando se está só


precisa ter cuidado, sentido do vento

ver pra onde leva, onde vai parar

só pra depois voar numa ventania

mergulhar no céu, pipa de coração


tão longo esse cordão, que fica em outra mão

tão fino tremulando quase se partindo

vida por um fio, acorda esse menino

quando o vento muda sua direção


a espera é um fio que vai esticando

feito uma corda de um violão

se passa do tom e não mais afina

perde a harmonia de nossa canção








sábado, 6 de junho de 2026

Ingenuidade

 



quando eu era jovem, tinha um olhar mais puro

como quem não cresceu direito, parado no tempo

de uma ingenuidade e gentileza quase carinhosa

sempre a crer que diziam a verdade


imaginava demais, tantos devaneios

havia algo no ar que era inspirador

acreditava em qualquer pessoa

acreditava no amor


me importava mais com os mínimos detalhes

que sempre desapercebidos

ficavam quase que escondidos 

diante de todo olhar comum


me encantava com a beleza

que há em tudo, em todos

e achava que qualquer um merecia mais que eu,

o que quer que fosse


mas a vida foi me consumindo

em cada nova experiência, uma nova lição

muitas investidas em que me pus aberto

senti o frio, a dor e o erro

como quem está na contra-mão


depois de colecionado muitas perdas, muitos enganos

ainda assim prefiro ser aquele menino

e não ficar brigando com o destino

e aprender de vez a não ter planos


hoje um silêncio me atravessa

e nem sei qual lição aprenderei

só me sinto como naquele tempo

colhendo os frutos de minha ingenuidade

e do amor que acreditei








sexta-feira, 5 de junho de 2026

Correnteza

 

bem mais perto, logo à porta 

o que se abre, incerto e imenso 

pra mais uma vez eu entrar nesse mundo revirado

sem apoio que me acompanhe 

para me equilibrar nessa correnteza 


é preciso ser forte para se estar só

é preciso ter coragem para dividir a vida com alguém

a coragem de arriscar quando a única certeza 

é que se tornará vulnerável 

justamente por entender que há limites 

que ora são passagens, ora simplesmente pontes intransponíveis 


olho meu caminho com a medida do tempo 

por isso espero, antes de qualquer movimento 

que me lance em mar aberto, antes de voltar ao centro

não se sabe o que virá 

não se sabe como será 


por enquanto, apenas essa vontade 

que me retorna, que me cobra a existência 

por enquanto, ausência 

talvez veleidades 






domingo, 24 de maio de 2026

O simples




eu aqui de novo, querendo me resolver escrevendo

quando a falta reclama no corpo

de novo procurando articular qualquer palavra ou frase que me acalme

que me peça um pouco mais de tempo

sem um prazo definido

para romper com essa espera que é tão inerte


se o bonde anda com seu peso e não dá pra parar

assim, de repente

mesmo que seja o que mais preciso

quando o que mais preciso é o mais simples


invejo os que aí por perto

vão à padaria, comprar pão

invejo-os simplesmente por estarem aí

e é tão pouco, mas pra mim seria tudo, seria tanto


palavras são insustentáveis

permanecem em nossa companhia para ajudar com o tempo

enquanto que dizê-las nos torna um pouco mais serenos

como se fizesse alguma coisa, ao menos


mas sinto o passo, lento, o caminhar no rumo

me levar pra perto, pra sem mais palavras

o simples estar, silenciá-las






terça-feira, 19 de maio de 2026

Meu presente...





Queria ser uma cantiga

Pra voar por sobre as flores

Visitar todas as cores

E entrar pela janela



Do teu quarto, de mansinho

Te acordar devagarinho

Do teu sono encantado

Como se eu fosse um Beija-Flor



E você fosse um lírio

O mais belo do caminho

E um canto de passarinho

Acordaria o meu amor



Suave abrir de teus olhos

Serenos, pousando nos meus

Meus lábios sorrindo, nos teus

Com um beijo celebraria



Feliz, o raiar de teu dia

Teu Maio, minha alegria

Meu sol

Minha canção



segunda-feira, 4 de maio de 2026

Erro



 

preciso cometer um erro

urgentemente...

sabendo exatamente pra o que serve

e que, depois,  me faça arrepender 


um que seja a expressão do que não quero

e que confunda tudo que espero

e não me permita retornar


preciso cometer um erro nada belo

e esse não poderei errar

terá que ser esculpido cuidadosamente

adentrando na mármore realidade

petrificando a suavidade

dando asas ao peso

para que ele possa se materializar


preciso cometer este erro

e que seja bem sincero

indo ao encontro de um desespero

para me salvar




Um Dia

 



algumas poucas horas

se contadas, todas, não darão a soma para um dia

foi tudo que tive


tento achar um culpado nessa conta e não encontro

tento encontrar o erro e não enxergo

mas suspeito ser eu o erro e o culpado

por não aceitar que tudo impedia

que tudo negava

que tudo atravessava


hoje o tempo parece ser mais precioso

assim como queremos parar um por de sol

para que fique por mais tempo

enquanto o vemos, em todos os detalhes

as cores e formas, tão belas


suspeito ter conhecido o impossível

por mais belo e profundo que seja

e foi como querer chegar no horizonte

que se desdobrava para longe cada vez que eu ia


vou tentar me explicar por dentro

só não sei por onde começar

pois sou mais aluno que professor

tenho mais dúvidas que certezas

e nada aprendi direito


no momento, prefiro apenas caminhar 

caminhar entre os eucaliptos

até passar esse atravessamento

que vem, vai e volta sempre


caminhar, talvez, para respirar um pouco

olhando para as copas e o céu


no momento, é tudo que tenho

é tudo que posso fazer

nesse todo tempo do mundo

que parece não valer 

o pouco tempo daquele dia