sábado, 2 de novembro de 2013

Tangedores





não soube contar as gotas da neblina da madrugada
que me acendiam pontos pequeninos, gélidos
como não sei contar a chuva de estrelas na noite
e a chuva dos dias

não se sabe o tempo que se evapora
esse cálculo impreciso
que mede os corpos quando se tocam
e se banham contentos
revelam e revoltam-se
rebuscam e escrevem um poema vivo
que vibra em suas mãos tangedouras
em suas veias em fuga do coração
na voz errante que soa lá fora
que nos leva...
busca-nos dum tempo que não vivemos
nos queima e lançam inúmeras centelhas no céu
enquanto os rebanhos caminham sob o luar
libertos de nossas moradas
e as guitarras cravam cristais de luz
nas estradas que nunca se findarão
nos campos que nos protegem
no silvo suave dos capins
que nos arrodeiam
incontáveis
e cúmplices
de nossas vidas cintilantes



















2 comentários:

Anônimo disse...

Que a força do universo e a energia divina permitam que minhas mãos, meus atos e até meu silêncio não sejam nem transmitam interpretações “tangedouras” de pessoas queridas

Angélica Vieira disse...

Belíssimo, como se transportasse a um ambiente através de portas remotas onde habitam as historias dos povos. Essa ancestralidade presente, aparente nos sentimentos no desdobrar do que se vive e sequer nos pertence.