Monólogo
por certo são escolhas
essas que nos apontam os caminhos a seguir
de forma aceitável
de forma quase lógica, quase inevitável
e a cada passo, mais responsabilidades
mais laços, mais nós
parece sólido
necessário a ponto de não nos permitir desvios
mesmo que em alguns momentos ensaiemos alguma fuga
logo a segunda feira nos diz, foi apenas um devaneio
algo que se esquece incompletamente com uma noite de sono
um carinhoso abandono
parece normal
existem forças que quando tudo acontece
já nos oferece um roteiro pensado
um texto reto para uma leitura seguida
numa cadência de tempos bem definidos
uma dança da vida regular
dar o braço a torcer
aceitar
ter uma segurança interna
e à sutil vontade de romper as regras, negligenciar
talvez eu não caiba nesta peça
por nunca ter aceitado de verdade
mesmo que a contragosto me contenha
não consigo representar a falsidade
mas permito conviver com ela
é o que se colhe, por escolher e tolerar
é como enfim nós nos vendemos
o salário da sociedade que nos pagam
sem a menor troca
sem diálogo
até o sentimento tornar-se este monólogo

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