terça-feira, 1 de setembro de 2026

Museu do mundo

 


não, o texto não consola

alívio? Talvez...

parece apenas ser um caminho que se pega

para desviar dos trilhos retos

ou duros demais


no fundo, tem uma esperança 

como se pudesse dali brotar algum calor

para resolver esse frio, essa anestesia

ou uma dor, que seja

quebrar esse argumento de obviedades

causar um novo efeito

para ressuscitar o movimento

dar uma nova forma a essa pedra 

que pertence a uma outra era

do museu do mundo


o olhar que contornando uma escultura quase soterrada

percorre essa pequena parte do corpo para adivinhar a sua forma

para se surpreender, descobrir

como se temesse ser maravilhoso o que viesse a encontrar


mas é apenas uma ruina

frágil a se fragmentar, tonando-se areia

sem nos revelar o segredo, enfim

algo melhor que qualquer truque de mágica

que fosse contra todas as leis da física

e do entendimento humano, em qualquer campo

um espanto!


não, meu amigo, minha amiga

o texto cava mais fundo

submerge a um outro mundo

aquele que se diz: interior

está em algum lugar que não conhece a gravidade

não respeita o tempo, nem a geometria que desenha os mapas

brinca com o impossível, ri da realidade

faz malabarismos com o leitor

questiona o controle de quem escreve

finge ser bem comportado enquanto é traidor

é ponte por onde passa nossa vontade

é rede que pesca o pescador