não, o texto não consola
alívio? Talvez...
parece apenas ser um caminho que se pega
para desviar dos trilhos retos
ou duros demais
no fundo, tem uma esperança
como se pudesse dali brotar algum calor
para resolver esse frio, essa anestesia
ou uma dor, que seja
quebrar esse argumento de obviedades
causar um novo efeito
para ressuscitar o movimento
dar uma nova forma a essa pedra
que pertence a uma outra era
do museu do mundo
o olhar que contornando uma escultura quase soterrada
percorre essa pequena parte do corpo para adivinhar a sua forma
para se surpreender, descobrir
como se temesse ser maravilhoso o que viesse a encontrar
mas é apenas uma ruina
frágil a se fragmentar, tonando-se areia
sem nos revelar o segredo, enfim
algo melhor que qualquer truque de mágica
que fosse contra todas as leis da física
e do entendimento humano, em qualquer campo
um espanto!
não, meu amigo, minha amiga
o texto cava mais fundo
submerge a um outro mundo
aquele que se diz: interior
está em algum lugar que não conhece a gravidade
não respeita o tempo, nem a geometria que desenha os mapas
brinca com o impossível, ri da realidade
faz malabarismos com o leitor
questiona o controle de quem escreve
finge ser bem comportado enquanto é traidor
é ponte por onde passa nossa vontade
é rede que pesca o pescador