terça-feira, 11 de agosto de 2026

Rebanhos

 



o tempo mudou

do céu claro e azul para nuvens cinzas

uma neblina fina cai, chapiscando essa tela

como um véu de silêncio e mistério

um silenciar de sonhos com incertezas de orvalho


sim, é leve como o esquecimento


estranho poder olhar nesse espelho do tempo

sem me reconhecer por dentro

e perguntar, onde me perdi?


mais estranho ainda é ter nas coisas banais

o motivo que me projeta para o próximo dia

e, talvez, esperar que algo novo aconteça

que possa tentar me abraçar, e que aqueça

esse corpo cismado e descrente


quem sabe a sorte me entregue esse pavio

para a mínima centelha de um olhar

me trazer de volta um sorriso


ou talvez romper essa muralha

para que eu possa soltar os meus rebanhos

e que do amor libertos

não me sejam mais estranhos




Nenhum comentário: