o tempo mudou
do céu claro e azul para nuvens cinzas
uma neblina fina cai, chapiscando essa tela
como um véu de silêncio e mistério
um silenciar de sonhos com incertezas de orvalho
sim, é leve como o esquecimento
estranho poder olhar nesse espelho do tempo
sem me reconhecer por dentro
e perguntar, onde me perdi?
mais estranho ainda é ter nas coisas banais
o motivo que me projeta para o próximo dia
e, talvez, esperar que algo novo aconteça
que possa tentar me abraçar, e que aqueça
esse corpo cismado e descrente
quem sabe a sorte me entregue esse pavio
para a mínima centelha de um olhar
me trazer de volta um sorriso
ou talvez romper essa muralha
para que eu possa soltar os meus rebanhos
e que do amor libertos
não me sejam mais estranhos
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