terça-feira, 22 de setembro de 2026

Blumen

 



Perco-me no tempo quando a aurora é perto

noite que adentro sem pensar direito

quando o caminho se abre em dois

entre o sonho e o devaneio

um diz como estou

o outro, o que quero


encontro-me na encruzilhada entre o certo e o sentimento

um que me aponta o outro lado

o outro que me fez morada

e o corpo que não pode andar sozinho

sentindo vai de qualquer jeito

pois, qualquer lado, tanto faz

seria uma cruz pesando o peito


recosto-me à beira do caminho

acampo sem saber o quanto dura

pra passar por mim essa ferida

esse punhal que corta em face dupla.


passado o tempo, depois de todas dores

fica no corpo esta cicatriz

sei que agora o caminho é reto

e se abre em tempo de primavera

agora, uma outra vida

uma nova estrada









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