Escrever é uma forma de aproximar-se do outro e de si mesmo. Poesia como forma de criar alívios.
quarta-feira, 16 de julho de 2014
segunda-feira, 7 de julho de 2014
Primeiro dia
era apenas ver o nascer do sol
abrir dos olhos
atravessar
todos os dias claros
agradecidos
por um sorriso
presenteando
coisas infindas e breves
sem motivos
brindando a vida
uma festa de seres comuns
contentes com o pouco
apenas a permanência
dividida
nada mais
domingo, 29 de junho de 2014
sem mais perguntas...
te escrevo pra mim
ensinamentos tortos
para servirem de mapas
pra não temer o longe do desalinho
te guardo incertezas em garrafas
e escritos roucos da câmara do meu pensamento
sonhando encontrar as pedras de tua ilha
novo mundo meu
te busco com a sede de papel caindo n'água
no inevitável extremo da falta
o caminho de volta
que me repõe no ninho da vida
sem mais questões
porque elas se encontrarão mais que satisfeitas
quietas e cúmplices em silêncio
sábado, 14 de junho de 2014
Inaudito
a carga e o carregador
a posse e o possível
o tocador e o pedreiro
a parede branca, o quadro
o esquadro do sensível no olhar do morador
um sabor que passa
um poder que pode
a roupagem do corpo alienante
os riscos e as linhas
tramas de luvas de vinho
o cálice
a cena e a ausência do ser
a gaiola de ouro
que não sustenta o desejo
vergado em metal
moeda do silêncio
o vendaval e as roupas secas
o voo dos pés
o canto da cantiga
o impossível
o sonho
a casa vazia
o peso da pena
alma discreta
silente mar
sexta-feira, 13 de junho de 2014
Arreios
o dia se encerra mais uma vez
nos tempos maduros
num caos que teme se reconhecer
novo ciclo, mais uma volta
carrossel com cavalinhos do apocalipse
um dia solto seus arreios
como os devaneios intimamente nos soltam pela madrugada
e vou querer ouvir seus passos
sem contá-los
sem ritmo
no irreversível
sábado, 7 de junho de 2014
Armadilha da memória
morra meu pensamento e deixa meu corpo viver
me liberta desse mundo incorpóreo
me solta
me ensina o esquecimento e a ilegibilidade da vida como matéria fundamental
deixa-me ir voando sem campo de pouso
envolto no que conduzir
correnteza de sentimento
não me ponha longe de onde vou
não me exile do momento nem do lugar
nem me diga das coisas
já não me traduzem estas línguas que aprendi
te digo a mim
me devolve
pra eu saber chegar
correnteza de sentimento
não me ponha longe de onde vou
não me exile do momento nem do lugar
nem me diga das coisas
já não me traduzem estas línguas que aprendi
te digo a mim
me devolve
pra eu saber chegar
segunda-feira, 2 de junho de 2014
Vantagem
a vantagem...
extremamente importante
só não pode ser mais urgente que o desejo
mas é valiosa demais por seu tempo breve
no tempo de uma dança
o caminhar é fuga desse pátio
contratempo sem volta
passos que ensinam um caminho deserto
por fora das janelas
por pisos toscos e frios
por onde se teme caminhar com os pés descalços
para não dar a face à essa verdade
e permanecer esse abismo entre os pés e o chão
mas será sempre irreversível a vantagem
que nos opõe aos outros
que nos lança como dados marcados
e não aviões de papel
sem motores nem guias
o desejo é como a carne
sobrevive e espera em seu metabolismo
sentir, é tudo o que tem
é todo o seu bem perecível
não mira o dia seguinte
é apenas em volta, perto
é o que na vida deveria conduzir
em algum momento
mas contra a vantagem
não há argumentos...
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