agora apenas corpo, trabalho e caminho
pra que pensar mesmo?
não vale a pena o que não tem jeito
se acostumei a sempre querer voltar,
guardar sempre essa esperança,
agora apenas corpo, trabalho e andar...
seguir é dar as mãos ao tempo
pedir uma pausa ao sentimento
e cuidar desse pobre coração
ter na paz uma meta de harmonia
respirar sem dor, sem agonia
e cuidar do corpo, do trabalho e do estradar
corpo, trabalho e caminho...
sem olhar pro lado
corpo, trabalho e caminho...
basta olhar pra frente.
já não quero nada ruim em meu peito
nenhum despeito, desespero, rancor
só quero flores pequeninas a cobrirem esse monte
sentir o vento entre as cores, dando movimento, respirar...
lembrar de tudo que merece ser lembrado
e esquecer, esquecer, esquecer...
e se for preciso, afastar, afastar...
devo, sinceramente, aprender com as árvores
parecem solitárias, mas autônomas em sua copa
os pássaros fazem ninhos, a acordam antes da aurora
servem de haste para um balanço para uma criança brincar
fazer casa-da-árvore, viver fantasias
ser onde escrevem seus nomes
onde a boiada repousa, fugindo do sol
sim, preciso aprender com elas
lembrar que tenho raízes
mudar a cada estação
e mesmo depois de morta
ser uma porta, um violão
ter novas histórias, ser uma janela
onde a mais bela fica a olhar a rua
vendo a banda passar
ser onde se recosta um outro corpo, cama
uma ferramenta de um trabalhador
e ser uma ponte
seja lá pra onde for
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