domingo, 26 de julho de 2026

Árvore

 



agora apenas corpo, trabalho e caminho

pra que pensar mesmo?


não vale a pena o que não tem jeito

se acostumei a sempre querer voltar,

guardar sempre essa esperança,

agora apenas corpo, trabalho e andar...


seguir é dar as mãos ao tempo

pedir uma pausa ao sentimento

e cuidar desse pobre coração

ter na paz uma meta de harmonia

respirar sem dor, sem agonia

e cuidar do corpo, do trabalho e do estradar


corpo, trabalho e caminho...

sem olhar pro lado

corpo, trabalho e caminho...

basta olhar pra frente.


já não quero nada ruim em meu peito

nenhum despeito, desespero, rancor

só quero flores pequeninas a cobrirem esse monte

sentir o vento entre as cores, dando movimento, respirar...

lembrar de tudo que merece ser lembrado

e esquecer, esquecer, esquecer...

e se for preciso, afastar, afastar...


devo, sinceramente, aprender com as árvores

parecem solitárias, mas autônomas em sua copa

os pássaros fazem ninhos, a acordam antes da aurora

servem de haste para um balanço para uma criança brincar

fazer casa-da-árvore, viver fantasias

ser onde escrevem seus nomes

onde a boiada repousa, fugindo do sol


sim, preciso aprender com elas

lembrar que tenho raízes

mudar a cada estação

e mesmo depois de morta

ser uma porta, um violão

ter novas histórias, ser uma janela

onde a mais bela fica a olhar a rua

vendo a banda passar


ser onde se recosta um outro corpo, cama

uma ferramenta de um trabalhador

e ser uma ponte

seja lá pra onde for



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